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26/10/2017

Abordando a temática contra o preconceito, o Concurso de Foto Escrita esbanjou muita criatividade e sensibilidade dos alunos

Conseguindo integrar a temática nos mais variados gêneros textuais, os alunos apresentaram poesias, textos narrativos e dissertativos com teor forte e reflexivo, apontando suas próprias vivências escolares

A Escola Desembargador Pedro de Queiroz, em Beberibe/CE, preparou um dia festivo, com muita música, poesia e apresentações, para a escolha dos quatro ganhadores do Concurso de Foto Escrita 2017! Num cenário de muita sensibilidade e interação dos alunos com a temática proposta, o resultado, para além das premiações, despertou um ganho coletivo de cidadania e diálogo sobre um assunto presente e preocupante no âmbito escolar.

Durante cada apresentação, as produções apontavam para a importância de trazer para a sala de aula, o debate contra o racismo e todas as formas de discriminação, seja promovendo palestras, rodas de conversa, ou mesmo utilizando das ferramentas pedagógicas de ensino dentro do currículo escolar.

A mensagem de igualdade, respeito ao próximo, protagonismo e união em uma escola sem preconceitos, vem sendo trabalhada desde as oficinas práticas realizadas durante o mês de agosto, além das atividades de cidadania, realizadas com alunos e educadores em junho desse ano. Em parceria com o trabalho desenvolvido pelo Projeto “Beberibe Multicor – Um movimento por uma infância sem racismo”, o Instituto Brasil Solidário inseriu de vez o tema em todas as Oficinas Práticas do PDE, incluindo a turma de Educomunicação, responsáveis pelas lindas fotografias que inspiraram as produções textuais para o Concurso de Foto Escrita no ano de 2017 na Escola Desembargador.

Podendo se expressarem de forma livre e criativa, dentro dos mais variados gêneros textuais, os estudantes não pouparam linhas, como disse a Professora Xênia Cardoso, que antes de apresentar a proposta pedagógica da Foto Escrita, fez uma aula sobre os elementos da narrativa, para agregar ainda mais o processo de produção dos alunos.

“Nos textos que recebi, eu percebi que os alunos se sentiram à vontade para retratarem sobre experiências e problemas sociais que eles passam ou presenciam de perto. Eu recebi textos de até 4 folhas! Eles não estavam preocupados com a quantidade de linhas e sim com a vontade de expressarem seus sentimentos e o que gostariam que as pessoas soubessem sobre o que pensam do preconceito”, ressaltou, a Professora de Língua Portuguesa da Escola Desembargador Pedro de Queiroz.

A estudante, Viviane dos Santos, 13 anos, que teve o seu texto escolhido entre os ganhadores, disse ter se emocionado quando estava produzindo a narrativa que levou o título “A Menina do Cabelo Arrepiado”, retratando a história de duas amigas que sofreram bullying na escola e pensaram em suicídio. “Eu não tenho hábito de leitura e nem de produzir textos, então foi uma experiência nova para mim, mas eu estava falando de um assunto que eu mesma já passei, então achei mais fácil de escrever, me senti aliviada, fiz esse texto chorando, eu acho que ajuda muito falarmos mais sobre esse assunto na escola”, enfatizou, Viviane.

O Presidente do Instituto Brasil Solidário, Luis Salvatore, esteve no evento para a entrega da premiação e ressaltou sobre a importância da construção de uma escola saudável que proporciona o diálogo e a oportunidade dos alunos serem protagonistas e participativos.

“Estamos diante de um cenário muito triste e preocupante de violência e discriminação acontecendo em várias regiões do Brasil, e acredito que a educação é um meio para abrirmos esse diálogo e para a construção de cidadãos conscientes, que possamos contribuir para uma escola saudável, que fala da cidadania, da arte, da educação ambiental e permite que os alunos possam se expressar e ser protagonistas nessas atividades na escola”, pontuou.

As alunas Viviane Ribeiro dos Santos (7º ano), Yasmin de Almeida Lima (7º ano), Tamara da Silva Felipe (8º ano) e Vitoria Lima Nogueira (8º ano), foram as ganhadoras do concurso e receberam uma mochila Curtlo na Escola novinha, além de um kit sustentável de materiais escolares.

 

Sobre o Projeto Foto Escrita

Como parte das atividades de Incentivo à Leitura, do Programa de Desenvolvimento da Educação – PDE, do Instituto Brasil Solidário, a proposta pedagógica de Foto Escrita, acontece em escolas de várias regiões do Brasil, que já trabalham com as ações do PDE. Com o intuito de aplicar por meio de sequência didática, a atividade pode ser implementada em âmbito municipal, que junto com as Secretarias de Educação, pode abranger várias escolas do município.

O Concurso de Foto Escrita, permite instigar nos alunos o gosto pela escrita e pela leitura através da análise perceptiva de uma imagem, valorizando o potencial que cada aluno tem e, diante disso, encontrar meios para que a prática da escrita e da leitura seja prazerosa, apontado os valores culturais e a ludicidade como um caminho a ser explorado para alcançar tal objetivo.

Trazendo a proposta de fazer uma “leitura” sobre a imagem, os alunos podem se expressar de forma livre e criativa, dentro dos mais variados gêneros textuais, seja através de uma poesia, uma crônica, um texto dissertativo, narrativo ou argumentativo. A ideia é permitir essa descoberta da linguagem, que melhor se encaixa na perspectiva do aluno sobre o que está sendo visto e apreciado. Instigando um olhar sensível à fotografia, a atividade pretende incentivar os alunos a pensarem nas imagens que consomem e produzem diariamente, motivando a refletirem sobre o contexto de tais registros.

 

Confira o texto das ganhadoras:

 

A Menina do Cabelo Arrepiado

Autora: Viviane Ribeiro dos Santos (7º ano)

Era uma noite tão linda que você imagina, a lua brilhava no céu, as estrelas davam destaque. Uma garota passava de bicicleta e reparou como o céu estava bonito, não estava só, e sim com sua amiga. Não pararam para admirar aquela noite, então elas dividiram ficar um pouco por ali, deitaram na grama e começaram a contar estrelas, passou agora é acabaram dormindo ali mesmo, até o amanhecer. Enquanto acordavam uma delas lembrou-se e disse:

  • Amiga tem aula! E a outra respondeu
  • Vamos, vamos, temos que nos arrumar!
  • Mas não da mais tempo de irmos em casa, vamos assim mesmo

E decidiram ir do jeito que estavam mas, quando chegaram na escola todos os garotos começaram a rir delas. Ficaram chocadas e sentindo-se humilhadas e essas atitudes passaram a acontecer todos os dias até que um dia cansadas uma disse a outra.

  • Amiga vou me suicidar-me, não aguento mais essa vida! A outra logo respondeu
  • Também amiga! Que horas a gente marca!

Elas esconderam os remédios, sua mãe abriu a porta e viu uma grande bagunça debaixo da cama e foi ver o que tinha e ficou de boca aberta a pensar porque sua filha queria aqueles remédios, porque pensa em se matar sem ter uma razão.

Sua mãe perguntou-a e elas disse o que estava passando na escola o que estava sentindo.

  • Estamos sendo motivo de piada, fomos humilhadas, criticadas, ficam fofocando da gente… e sua mãe lhe perguntou:
  • Falam sobre o que?
  • Nós fomos para a escola, mal arrumadas e sujas.

Sua mãe a levou para um grupo contra o preconceito e lá desabafaram, contaram o que estavam sentindo e passou aquele terror. Elas foram para a escola, não ligaram mais para o que falavam, queriam ser feliz e depois daquele dia, nunca mais aconteceu.

Um dia elas se separaram, iam mudar de escola, e não viriam mais uma à outra, mas seria o destino delas. Cresceram, fizeram faculdade, namoraram, se casaram, tiveram filhos. Quando chegou à meia idade, uma delas lembrando-se da sua infância, contou para seus filhos e para que se acontecesse com elas poderia contar com sua mãe para desabafar.

Observação: Não julgue, não critique antes de conhecer. Não ligue para quem falar mal de você, de valor as pessoas que te respeitam!

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Educação não tem cor

Autora: Yasmin de Almeida Lima (7º ano)

É triste saber que no Brasil, milhares de pessoas são vítimas dos mais diversos tipos de preconceitos. O racismo, por exemplo, é um dos mais comuns. Muitas das pessoas que são vítimas desse lamentável ato desenvolvem depressão. Uma tristeza tão intensa que dilacera a alma, além de cultivar em si o rancor. Muitos jovens vítimas dessas discriminações se recusam a comer, a irem a escola e até mesmo se socializar com amigos e familiares.

Cabelo curto, longo, cacheado, liso, loiro, castanho, grisalho, preto e como for, sofrem por conta de sua aparência. A cor da pele, a cor dos olhos também são pontos pra crítica dos outros. A questão é que a cor não importa, roupa não importa, o cabelo não importa. Detalhes são detalhes e ninguém precisa ser igual.

O que diferencia as pessoas é a educação, a bondade e o respeito que demonstramos quando nos dirigimos as pessoas.

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Homofobia

Autora: Tamara da Silva Felipe (8º ano)

Hipocrisia. É nesse fundamento que a atual sociedade vive. Hipócritas, que dizem não serem homofóbicos, mas que apoiam uma proposta que diz ser a cura gay. Que dizem respeitar, mas criam “apelidinhos” ao ver uma pessoa que igual a você precisa ser respeitada, e que apenas quer terminar mais um dia de trabalho. Mas por quê? Com que finalidade? O que isso vai trazer de bom a sua vida? E se fosse com você?

O Brasil, atualmente, é um dos países onde ocorrem mais homicídios LGBT’s – na maioria gays e travestis – a cada 25 horas um homossexual é morto e espancado, vítimas de um preconceito que precisa ser curado. Você não precisa gostar ou fingir que gosta, apenas respeitar.

Imagine você, uma pessoa comum, mas que se diferencia na maneira de pensar, agir, e tem gostos diferentes das demais, e que apenas quer viver tranquilamente como qualquer outra, e ter o direito de expressar o que sente, poder caminhar tranquilamente, pelas ruas sem ser olhado de uma maneira diferente, ter as mesmas oportunidades de trabalho como qualquer outra pessoa, poder frequentar uma igreja, sem ser recriminado pelas pessoas, e que ao passar por uma rua, as crianças que nela estejam brincando não dê risadas e digam apelidos ofensivos, porque você saiu de casa usando salto e batom, o que claramente “não é coisa de homem”.

Muitos ainda vivem na ignorância, a ignorância do saber. Achar que “ele é desse jeito porque ele quer, seria muito mais fácil se ele parasse com essas frescuras e virasse macho”. Não é como se você tivesse uma “opção sexual”, pois opção dá ideia de escolha, e ninguém escolhe ser homossexual.

Muitos procuram uma solução para esse preconceito, mas a solução é simples cada um de nós devemos fazer a nossa parte e respeitar. Pare e pense nas suas atitudes.

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Educação não tem cor e não tem gênero

Autora: Vitória Nogueira (8° ano)

Infelizmente o preconceito é um problema que se tornou comum, hoje. Inclusive, o preconceito com a cor da pele. Um dia desejamos ser melhor que alguém e no outro, alguém deseja ser melhor que a gente. Queremos ter mais que alguém, alguém quer ter mais que a gente. O fato de se acharmos melhor ou querermos ser melhor, já virou costume. E não apenas por diferença de cores, de classe social, mas até por conta de nossas escolhas pessoais.

É triste quando vemos no jornal, por exemplo, que várias e várias transexuais são mortas ou torturadas. Diferenças todos nós temos, mas há pessoas que não aceitam isso. Todos nós somos iguais ou temos os mesmos direitos, eu acredito.

O fato de hoje você ter uma condição financeira melhor que a do seu vizinho, não torna você melhor que ele e nem melhor que ninguém e você não pode querer “passar por cima” de ninguém por conta disso.

Se as leis no Brasil fossem mais jutas e mais organizadas, talvez esse problema diminuísse. Provavelmente haveria menos mortes e violência. Mas até lá, devemos manter a esperança e nos fazer diferente dessas pessoas, tratando todos com respeito e dignidade.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Brasil Solidário

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